.. o livro A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É.
por Stevz*
* Stevz é brasiliense, ilustrador e músico. De vez em quando ele escreve.
Aqui também tem PDF da Bongolê #1
.. o livro A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É.
por Stevz*
* Stevz é brasiliense, ilustrador e músico. De vez em quando ele escreve.
Aqui também tem PDF da Bongolê #1
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por Lewis Carroll e John Tenniel*
(de Alice no país nas maravilhas)

Aquela era com certeza uma turma estranha que se reunia nas margens do lago: os pássaros com suas plumas arrastando, os animais com o pêlo grudado no corpo, e todos pingando, irritados e desconfortáveis.
A primeira questão era, evidentemente, como se secarem: eles estavam reunidos em conselho para decidirem sobre isso e depois de poucos minutos parecia natural para Alice encontrar-se conversando familiarmente com eles, como se ela os tivesse conhecido toda a vida. Na verdade, ela travava uma longa discussão com o Papagaio australiano, que no final tornara-se zangado, e falara, “Eu sou mais velho que você, e devo saber mais.” E com isso Alice não podia concordar, sem saber a idade dele, e como o Papagaio recusava-se terminantemente a dizer sua idade, nada mais havia a dizer.
Finalmente o Rato, que parecia ser a pessoa de maior autoridade entre eles, bradou, “Sentem-se, todos vocês, e ouçam-me! Eu vou fazê-los secar.” Eles sentaram-se então em círculo, com o Rato no meio. Alice mantinha seus olhos fixados ansiosamente nele, pois ela tinha certeza que pegaria um resfriado se não secasse logo.
“Aham!” disse o Rato com um ar de importante. “Vocês estão todos prontos? Essa é a coisa mais seca que eu conheço. Silêncio na roda, por favor! William o Conquistador, cuja causa foi favorecida pelo Papa, logo submetido pela Inglaterra, que desejava líderes, acostumada à usurpação e à conquista. Edwin e Morcar, os condes de Mercia e Northumbria…”
“Ugh!”, disse o Papagaio, com um calafrio.
“Desculpe-me” interferiu o Rato, carrancudo, mas educadamente. “Você falou alguma coisa?”
“Eu não!” respondeu o Papagaio, rapidamente.
“Pensei que tivesse”, retrucou o Rato. “Prosseguindo: Edwin e Morcar, os condes de Mercia e Northumbria, declararam para ele; e ainda Stingand, o patriótico arcebispo de Canterbury, achou que…”
“Achou o quê?”, perguntou o Pato.
“Achou que”, o Rato replicou irritadamente, “é claro que você sabe o que que significa.”
“Eu sei o que que significa muito bem, quando sou eu que acho”, afirmou o Pato, “geralmente é um sapo ou uma minhoca. A questão é: o que o arcebispo achou?”
O Rato não entendeu a pergunta, mas apressadamente foi em frente: “achou que era aconselhável conhecer William e oferecer-lhe a coroa. O procedimento de William no início era moderado. Mas a insolência dos seus normandos…como você está indo, minha querida”, ele continuou, virando-se para Alice enquanto falava.
“Tão molhada quanto antes”, respondeu a menina em um tom melancólico, “isso não está parecendo me secar afinal.”
“Nesse caso”, disse o Dodo solenemente, levantando-se, “eu proponho que a assembléia seja suspensa para a adoção imediata de medidas enérgicas…” “Fale inglês”, gritou o Papagaio.
“Eu não sei o significado de metade dessas palavras, e mais, não acredito que você saiba.” E o Papagaio torceu a cabeça para esconder um sorriso: alguns dos outros pássaros riram às escondidas audivelmente.
“O que eu estava dizendo”, retomou o Dodo em um tom ofendido, “é que a melhor coisa para nós secarmos seria uma corrida de comitê.”
“O que é uma corrida de comitê?”, perguntou Alice. Não que ela quisesse mesmo saber, mas o Dodo fizera uma pausa como se pensasse que alguém deveria falar, e ninguém parecia inclinado a dizer nada.
“Bem”, disse o Dodo, “a melhor maneira de explicar isso é fazendo.”
(E, como talvez você queira tentar essa corrida em algum dia de inverno, vou contar como o Dodo fez.)
Primeiro ele delimitou a pista de corridas como um tipo de círculo (a forma exata não importa, ele dissera) e então todo o destacamento foi distribuído pela pista, aqui e ali. Não houve o tradicional “Um, dois, três e já!”, mas todos começavam a correr quando queriam e paravam quando queriam, daí não era fácil saber quando a corrida terminava. Entretanto, quando eles já estavam correndo há mais ou menos meia-hora, e já estavam quase secos, o Dodo repentinamente gritou: “A corrida está acabada”.
Então, todos se aglomeraram em torno dele, ofegando e perguntando:
“Mas quem ganhou?”
Essa pergunta o Dodo não poderia responder sem pensar muito, e ficou parado um bom tempo com um dedo sobre a testa (a posição na qual você normalmente vê Shakespeare nas gravuras) enquanto o resto do pessoal ficava em silêncio.
“Todos ganharam, e todos devem ganhar prêmios.”
“Mas quem dará os prêmios?”, um coro de vozes perguntou.
“Ora, ela, claro”, respondeu o Dodo, apontando Alice com o dedo, e já toda a turma rodeava a menina, gritando de maneira confusa: “Prêmios! Prêmios!”
Alice não tinha a menor idéia sobre o que fazer, e, em desespero, colocou a mão no bolso e puxou uma caixa de confeitos (felizmente a água salgada não entrara nela), e distribuiu as balas como se fossem prêmios. Deu na conta exata, um para cada um.
“Mas ela precisa ganhar um prêmio também”, lembrou o Rato.
“É claro”, replicou o Dodo solenemente. “O que mais você tem no bolso?”, e se virou para Alice.
“Apenas um dedal”, respondeu a menina tristemente.
“Dê-me”, pediu o Dodo.
Então novamente eles a rodearam, enquanto o Dodo solenemente a presenteava com o dedal, dizendo:
“Nós gostaríamos que você aceitasse esse elegante dedal”, e ao final desse pequenino discurso, todos o aplaudiram.
Alice achou a coisa toda muito absurda, mas eles pareciam tão sérios que ela não ousou rir, e, como não podia pensar em nada para dizer, simplesmente fez uma reverência e apanhou o dedal, parecendo o mais solene possível.
A próxima coisa a fazer era comer os confeitos; isso causou algum barulho e bagunça, pois os pássaros grandes reclamavam que não podiam saborear os seus e os pequenos engasgavam e tinham que levar palmadas nas costas. Entretanto, afinal todos terminaram e sentaram-se em círculo, pedindo ao Rato para lhes contar alguma coisa.
“Você prometeu nos contar sua história, você sabe”, disse Alice, “e o porque você odeia G e C”, ela terminou sussurrando, com medo que ele se ofendesse novamente.
“A minha é uma longa e triste história!”, disse o Rato, virando-se para Alice, suspirando.
“É uma longa cauda, certamente”, replicou Alice, olhando para o rabo do Rato com admiração, “mas porque você a chama de triste?”
Alice continuava confusa sobre isso enquanto o Rato estava falando, pois a história que ele contava era mais ou menos assim:
O Monstro disse
ao rato,
Que ele
conheceu
em casa,
“Vamos
logo para o
tribunal: nós dois
Eu vou te
processar! —Pode,
vir logo,
não vou querer
adiar nem
um minuto
o julgamento
vai ser agora
Não tenho mesmo
nada para
fazer
esta manhã.”
Disse o
rato para o
monstro, “Este
processo,
prezado senhor,
sem
júri
ou jurados,
vai ser
uma grande
perda
de tempo.”
“Eu serei o
júri. Eu
serei o juiz,”
respondeu
o esperto
Furioso.
“Eu vou te
julgar
agora
e agora,
vou
condená-lo
à
morte!”
“Você não está prestando atenção!”, disse o Rato para Alice, severamente. “No que você está pensando?”
“Desculpe-me”, respondeu Alice humildemente, “você já estava na quinta volta, não é?”
“Eu não!”, gritou o Rato com voz aguda, muito bravo. “Você não presta atenção em nós!”
“Um nó!”, disse Alice, sempre pronta para ajudar, olhando para todos os lados. “Deixe-me ajudar a desfazer esse nó.”
“Eu não disse nada desse tipo”, disse o Rato, levantando-se e andando. “Você me insulta falando estas besteiras.”
“Eu não quis dizer isso”, suplicava a pobre Alice. “Mas você se ofende tão facilmente!”
O Rato apenas rosnou em resposta.
“Por favor, volte e termine sua história!”, Alice chamava. E todos os outros juntaram-se em coro:
“Sim, por favor, conte!”
Mas o Rato apenas balançava a cabeça impacientemente e caminhou ainda mais rapidamente.
“Que pena que ele não queira ficar”, suspirou o Papagaio, e logo o Rato já estava longe. E uma velha Carangueja aproveitou a oportunidade para dizer à sua filha:
“Ah!, minha querida. Que isso lhe sirva de lição para que você nunca perca o seu humor.”
“Segure sua língua, Mãe”, retrucou a jovem Carangueja, de um jeito meio impertinente. “Você acaba com a paciência de qualquer ostra.”
“Eu queria que nossa Dinah estivesse aqui”, disse Alice em voz alta, dirigindo-se a ninguém em particular. “Ela iria logo logo trazê-lo de volta.”
“E quem é Dinah? Se é que eu posso fazer esta pergunta”, interveio o Papagaio.
Alice replicou ansiosamente, porque ela estava sempre pronta para falar do seu animalzinho de estimação:
“Dinah é a nossa gata. E ela é muito boa para pegar ratos, você nem pode imaginar…E, oh, eu queria que você a visse atrás de pássaros! Ela pode comer um passarinho tão rápido quanto olhar para ele!”
Esse discurso causou uma forte sensação entre o destacamento. Alguns pássaros fugiram: uma velha Matraca começou a se agasalhar muito cuidadosamente, observando: “Eu realmente preciso ir para casa, o sereno não cai bem para minha garganta!”
E uma Canária chamou numa voz trêmula seus filhotes: “Vamos, meus queridos! Já está na hora de vocês estarem na cama!”
Com diversos pretextos todos se foram, deixando Alice sozinha.
“Eu acho que não deveria ter mencionado Dinah”, ela disse em um tom melancólico. “Parece que ninguém gosta dela aqui em baixo, e eu tenho certeza que ela é a melhor gata do mundo! Oh minha querida Dinah! Eu queria saber se volto a vê-la algum dia! E aqui a pobre Alice começou a chorar novamente, pois se sentia muito solitária e deprimida. Em pouco tempo, entretanto, ela novamente ouviu o barulho de passos à distância e olhou ao redor impacientemente, meio que esperando que o Rato tivesse mudado de idéia e voltado para terminar a história.

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*Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson 1832-1898) foi um escritor e um matemático britânico. Autor de Alice no país das maravilhas (1865), do qual extraímos este capítulo, e de sua continuação, Alice através do espelho (1872), entre outros livros.
John Tenniel (1820-1914), foi ilustrador britânico. Seu trabalho mais reconhecido são as ilustrações para as obras de Lewis Carroll: Alice no país das maravilhas, algumas delas publicadas aqui, e Alice através do espelho.
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por Robert Louis Stevenson*

O papel havia sido selado em diversos lugares por meio de um dedal, em vez de sinete; talvez o mesmo dedal que eu havia encontrado no bolso do Capitão. O Doutor abriu o lacre com muito cuidado e de lá caiu o mapa de uma ilha, com latitude e longitude, sondagens de profundidade, nomes de colinas, baías e angras e cada particular que pudesse ser necessário para levar um barco a uma ancoragem segura em suas praias. Tinha mais ou menos nove milhas de comprimento por cinco de largura e o formato aproximado de um dragão gordo empinado sobre as patas traseiras; tinha, além disso duas ótimas localizações para portos protegidos pela terra; e uma colina na parte central marcada “A Luneta do Marinheiro”. Havia várias adições de data posteriores; porém, acima de tudo, três cruzes em tinta vermelha – duas na parte norte da ilha e uma na sudoeste. Ao lado desta última, na mesma tinta vermelha, com uma letra pequena e clara, muito diferente dos caracteres meio tortos do Capitão, havia estas palavras: ” A parte principal do tesouro está aqui”.
Na parte de trás a mesma mão havia escrito estas informações:
” Árvore, alta, flanco da luneta, tendo um ponto voltado para N de NNE. Ilha do Esqueleto ESE por E. Três metros. A prata em barra está no depósito do norte; você pode encontrá-la seguindo a senda da colina do leste, dez braças ao sul do rochedo negro que tem um rosto. As armas são fáceis de encontrar, na colina de areia a N, na ponta norte do cabo da angra, na direção E e a um quarto de N.
JF.”
Isto era tudo, mas mesmo sendo breve e, para mim, incompreensível, o Conde e o Dr. Livesey ficaram cheios de alegria.
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* Robert Louis Stevenson (1850 – 1894) publicou suas primeiras obras em 1878. É mais conhecido por A ilha do Tesouro, de 1883 – a princípio uma história para entreter seu enteado – e O Médico e o Monstro, de 1886. Morreu em 1894, de hemorragia cerebral, enquanto trabalhava em sua obra-prima inacabada, Weir of Hermiston. O mapa aqui publicado também é de sua autoria.
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por Angelo Agostini*

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* Angelo Agostini (Vercelli, 1843 — Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 1910) é um dos precursores dos quadrinhos no mundo e um dos primeiros quadrinistas brasileiros. Também foi um dos primeiros cartunistas brasileiros e considerado por muitos o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Sua carreira teve início quando estouravam os primeiros combates da Guerra do Paraguai (1864) e prolongou-se por mais de quarenta anos. Em seus últimos trabalhos, testemunhou a queda do Império e a consolidação da República oligárquica.
Seu principais personagens foram Nhô-Quim e o Zé Caipora. Agostini também foi o inventor da “revista em quadrinhos”: devido ao grande sucesso de Zé Caipora, ele compilou os capítulos semanais do personagemem fascículos mensais, que também foram sucesso de vendas. Além disso, o artista ainda foi um dos fundadores da mais importante revista infantil brasileira: O Tico-Tico.
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* Coleção Thereza Christina Maria

Igreja Matriz do Rio de Janeiro, vista frontal
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Cemitério Novo
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Estação de Nova Friburgo
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Palácio Imperial e adjacências
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Passeio da Praça da Confluência e residencia do Barão de Mauá
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*A coleção Thereza Christina Maria é composta por 21.742 fotografias reunidas pelo Imperador Dom Pedro II (1825-91) ao longo de sua vida e por ele doadas à Biblioteca Nacional do Brasil. A coleção abrange uma ampla variedade de assuntos. Documenta as conquistas do Brasil e dos brasileiros no século XIX e também inclui muitas fotografias da Europa, África e América do Norte. A Igreja da Matriz (Igreja Principal) de Petrópolis estava localizada naRua da Imperatriz, agora conhecida como Rua Sete de Setembro. A igreja foi demolida em 1924, mas um dos seus painéis interiores foi conservado no Museu Imperial. Esta é uma fotografia de uma série tirada no final da década de 1860 por Pedro Hees, considerado por muitos o pai da fotografia brasileira, mostrando os locais mais importantes de Petrópolis, um local popular de férias de verão dos brasileiros abastados, situada na serra fora da cidade do Rio de Janeiro.
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por Biu e Stevz*
1. Eu consigo ouvir o tilintar dos segundos que escorrem do relógio de parede quando caem quicando no chão atrás de mim. Em breve a sala estará cheia deles e será difícil transitar, mais um pouco e o lugar estará inundado, e sufocaremos todos.


2. Lá embaixo o tempo vai ficando cada vez mais curto à medida que avança, a sala afundou até a medida dos pés do cristo pendurado na parede, até os pés da cruz – o cristo não está mais lá, despregou-se e saiu andando sobre as águas do tempo, não sei se volta. Lá embaixo, agora, a sala vazia, cheia de si, em seu meio boia o esquife, muda testemunha desse estranho naufrágio. Lá fora crianças brincando na rua…
Cá em cima eu espero a minha hora tocando uma valsinha, uma que compus especialmente para o Manoel Manco, mas que é dedicada a todos os que vieram aqui hoje, vieram porque quiseram, não os convidei, nem fui convidada, nem eu nem minha irmã, tenho certeza, e agora ela está lá embaixo com os outros, submersa, como os outros. Chegaram, entraram, foram se sentando e se servindo e nem sequer para perguntar quem é o morto. E afinal quem é o morto? – Pergunta-me Johnny.
Eu páro a música. Ou a música me pára, não estou bem certa.
- Bem, eu tenho uma teoria sobre isso, meu caro Johnny, e ela é a seguinte:
Você sabe o endereço daqui?
- Não.
- Esse casarão onde estamos, você observou alguma janela?
Várias – Respondeu Johnny.
- E você já tentou apreciar a paisagem? Não? É porque não há paisagem. Estamos aqui morrendo de medo da morte enquanto nos velamos uns aos outros, Johnny. E você me pergunta quem é o morto…
- E volto a perguntar: Quem é o morto?

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* Stevz é brasiliense, ilustrador e músico. De vez em quando ele escreve.
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Etiquetado: Biu, Stevz
Coleção Brito Alves*






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*A Coleção Brito Alves é composta por 1.252 rótulos de cigarros na técnica litográfica. Foi iniciada pelo comerciante Vicente de Brito Alves e continuada pelo seu filho, o advogado pernambucano José de Brito Alves. Em 1964, a coleção foi doada pela família ao então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Constitui-se em um raro e valioso patrimônio cultural e artístico, registrando fatos históricos, usos e costumes e aspectos da vida cultural da sociedade brasileira e, particularmente, da pernambucana, no final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.
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por Irmãos Lumière*
*Auguste Marie Louis Nicolas Lumière (1862-1954) e Louis Jean Lumière (1864-1948) foram os criadores do Cinematógrafo, um dispositivo de projeção elegante e tecnicamente bem simples que revolucionou o início da indústria do filme. Os Lumières enviaram equipes pelo mundo todo para gravarem uma grande variedade de cenas e imagens. O catálogo da empresa Lumière chegou a incluir uns 1.200 títulos, todos disponíveis para venda e que eram exibidos aos públicos de diversos países.
Estes curta-metragens dos Irmãos Lumière retratam dois eventos tradicionais de Sevilha, na Espanha, conforme ocorreram nos últimos anos do século XIX: a Semana Santa e as touradas (la corrida de toros). A procissão da Semana Santa, realizada durante a semana antes da Páscoa, incluia um magnífico espectáculo de carros alegóricos (pasos) transportados pelas ruas da cidade por equipes de carregadores (costaleros). Os penitentes (nazarenos), vestidos em trajes teatrais com capas e capuzes, acompanhavam a procissão. O filme a seguir mostra os matadores lutando contra os touros na arena, auxiliados por uma comitiva de porta-bandeiras, espadachins e lanceiros montados a cavalo e, ao fundo, uma multidão aplaudindo.
(extraído da Biblioteca Digital Mundial)
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Minha dúvida, minha única dúvida, eu já superei a morte, passei incólume por esse presépio, aleluia, eu já superei toda essa merda existencialista, My shit is perfect, já caguei toda a merda do mundo, um mundo de merda… Minha única dúvida era se derretia ou se explodia.
Não estou bem certo se o que então percorria minha espinha era eletricidade ou apenas calafrios, tanto faz, por pura ironia, haja visto minha situação, vocês em breve entenderão, por pura ironia minha única preocupação era se o tamborete em que trepei me aguentaria, uma vez que a corda já havia me certificado que sim. Ao contrário do que se pode imaginar, o nó nem é tão importante assim, uma ponta atei a uma viga, a central, tudo bem espetaculoso, a outra ponta ateia-a ao meu pescoço, e esse nó que me desatasse a vida.
E é engraçado, não se pára de ser. De todas as formas que há para se fazer isso essa me era a mais alienígena, mas era o que estava à mão, fazer o quê?
Boa pergunta, a propósito…
Seria um pequeno passo para a humanidade, seria um nada, e no entanto, para mim, um salto gigantesco. O que me afligia nem é se veria mamãe novamente, por assim dizer, era o que os outros iriam pensar, acho que vão pensar… Sei lá o que vão pensar, o tamborete aguenta? Era isso que me afligia. Achei meio bamba uma de sua perninhas, “Isso tudo pode subitamente vir abaixo”, pensei, vai que o “cão atenta”, como dizia minha avó… Será que ela vai estar por lá também?
Acho que não. Eu acho que vou explodir.
E de qualquer maneira foi isso mesmo, uma explosão, mijei-me todo, caguei-me, ora veja você, mesmo com toda aquela merda… Retesei-me…
A corda estirou, estalando em sol maior sustenido, acho, uma blue note, definitivamente, e minhas canelas também estiraram.
Antes de meu pequeno passo fatal surgiu-me esse monstro metafísico em forma de Besta, um Leviatã de mil olhos chamado Morte, ele arrastou-se melindrosamente até mim, estirou-me a língua de fogo, e ficou nisso. Fala, véi, ou vai ficar só dando pinta, indaguei, ao que me respondeu – Creck!
Esperava mais de uma Besta-Fera de mil olhos, devo admitir, mas foi o suficiente.
Shit happens, Shits Happen? Shit Happy. Perdi minha vida, maldito tamborete paralítico de merda. Mas não perdi o senso de humor. Restou-me o que no final resta a todos: Uma boa, gostosa e contagiante gargalhada.
Bum, explodi.
Morri de pau duro. Agora é com vocês.
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Etiquetado: Biu
Toda a arte é carregada de ideologia. Não seria diferente com o cinema. Mas, apesar de toda obra ser permeada das idéias políticas, sociais e filosóficas de seus autores, algumas tratam disso de maneira bem explícita. É sobre o cinema que trata da causa operária, um cinema de classe, que se tratará aqui, numa espécie de mini-guia do gênero.
Não se pode falar de cinema sobre a causa proletária sem citar o Cinema Revolucionário Soviético. Sergei Eisenstein foi o principal representante do gênero e é mais conhecido pelo seu Encoraçado Potemkim (1925), que trata da rebelião dos marinheiros deste navio por maus tratos. A cena do massacre nas escadarias de Odessa é uma referência para o cinema ainda hoje.
Antes, Eisenstein realizou A Greve (1924), que conta a triste história do movimento grevista que antecedeu a revolução de 1917. Uma fotografia impecável, numa história que traz no seu trágico final as justificativas para a revolução bolchevique.
Em 1964, o cineasta Mikhail Kalatozov concluiu Soy Cuba, numa parceria entre a União Soviética e Cuba. Este épico relata os acontecimentos que desencadearam na ascensão de Fidel Castro ao poder. O filme, falado em espanhol e russo, não agradou nenhum dos dois países e foi engavetado, apesar do enorme gasto e tempo dedicado para sua execução. O documentário brasileiro Soy Cuba – o mamute siberiano (2004), de Vicente Ferraz, recupera a história desta fita, que se tornou um clássico tardio do gênero.
O cineasta britãnico Ken Loach dedicou sua carreira a realizar filmes sobre as condições de vida da classe operária. Seu filme mais conhecido no Brasil é Terra e Liberdade (1995), que conta a história da Revolução Espanhola e das atividades do grupo anarquista Poum, que uniu forças da esquerda para derrotar o franquismo e foi traída por Stalin.
Segunda-feira ao sol (2003) conta a história de um grupo de estivadores desempregados que buscam ocupar seus dias ao sol conversando no bar. O filme, dirigido por Fernando León de Aranoa, relata os tempos do desemprego em massa e a desorientação pela falta de trabalho, aquilo que seria o suporte para a dignidade. O filme foi premiado em Gramado.
Do Brasil, podemos citar o filme Eles não usam black-tie (1981), baseado na peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri e dirigido por Leon Hirzman. Um conflito familiar acontece em meio a um movimento grevista, um cenário comum nos bairros operários na década de oitenta.
Também brasileiro, o documentário Terra para Rose (1987) relata a história da companheira Rose, militante sem-terra e sua luta pela reforma agrária no Rio Grande do Sul. A história do sonho de transformar a realizada sofrida e a perseguição que isso resulta.
Muitos outros filmes poderiam entrar nesta lista, mas creio que aqui temos um bom começo. Para encerrar, uma dica de quem “nasceu no subúrbio operário”: Rota ABC (1991), de Francisco César Filho. O filme conta a história de filhos de operários ao som dos Garotos Podres.
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por Humberto Mauro*
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* Humberto Mauro (1897 – 1983) foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974 sempre com temas regionais. A Velha a Fiar (1964) ilustra a canção popular de mesmo nome, executada pelo Trio Irakitã. O filme é considerado o primeiro videoclipe brasileiro e um dos primeiros do mundo.
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