bzzt! diz:
e agora podemos postar o japa?
E.T. diz:
é sobre o que o vídeo?
bzzt! diz:
sobre como aproveitar bem a boa vontade dos outros, no caso o japa
E.T. diz:
esses são os bastidores, o enredo, ao meu ver, é sobre a destituição político-social que todos nós possuímos em nossa pseudo-democracia
E.T. diz:
concordas? o interessante é como o vídeo foi feito… vc se lembra? um parto às avessas
bzzt! diz:
bem, o q eu disse tem a ver como ele foi feito, não?
E.T. diz:
claro, mas vc se lembra que o compromisso durante a filmagem era diferente do mesmo quando posteriormente foi feito o roteiro, que se modificou na montagem?
bzzt! diz:
concordo com o q tu disse sobre a situação social
bzzt! diz:
bem, eu levei em conta o q tínhamos e o q dava pra fazer com aquilo
E.T. diz:
ele é um descamisado engravatado!!
E.T. diz:
sim, graças a você e seu espírito ecológico o material não foi pras cucuias
bzzt! diz:
acho realmente q o japa teve muita boa vontade
bzzt! diz:
muito
E.T. diz:
teve demais, embora ele não seja exatamente um, digamos, ator profissional
bzzt! diz:
arrumou o figurino, foi paciente…
bzzt! diz:
pagou o mico
E.T. diz:
mas emprestar o terno. ir de manhã cedo para o centro, topar da noite pro dia em assumir o papel, isso tudo foi graças ao japa, e não aos pré-produtores, que inclusive fizeram um vídeo poesia, tal qual planejado bem ruim, e não nos colocaram nos créditos, e mais vieram cobrar
bzzt! diz:
kkk
bzzt! diz:
os produtores eram muito estrelas
bzzt! diz:
foi o filme do filme
E.T. diz:
embora nao tivessem a mínima experiência com o audiovisual
E.T. diz:
mas tinham comprometimento, embora desviado, tenhamos que assumir
bzzt! diz:
eu lembro do cara dizendo – mas é assim q vou ganhar nota e é assim q eu quero
E.T. diz:
Graças a Deus nosso vídeo nunca entrou na academia
bzzt! diz:
seria queimação pra gente
E.T. diz:
demais, lyceu rulesx
bzzt! diz:
pois bem, então pra mim foi um filme de edição, uma brincadeira de dar sentido praquelas imagens.
E.T. diz:
exato, e o método do roteiro compartilhado simultaneamente também foi um exercício muito frutífero, produtivo e gratificante, deveria ser repetido mais vezes
bzzt! diz:
claro, foi um exercício de comunicação massa
E.T. diz:
fico honrado em ter feito um vídeo 200% com você
bzzt! diz:
500 com o acaso
E.T. diz:
há quem fale mal da paquerada do japa no final, mas creio que reflete uma falta de sensibilidade
E.T. diz:
1000% agora que será postado em nosso blog coletivo
bzzt! diz:
ah, falta de senso de humor. preciosismo bobo
E.T. diz:
conheço um cara que é “crítico”. além dele falar difícil pacas, sempre qualifica as obras de acordo com parâmetros e conceitos pré-estabelecidos, ou seja, um pé no saco, principalmente levando em conta esse vídeo exatamente
bzzt! diz:
ignoro
bzzt! diz:
não q exista, a existência
E.T. diz:
pois bem, que o público se divirta, reflita sobre a vida estética, e faça sua própria crítica da faculdade de julgar kantiana, como é de se esperar…
bzzt! diz:
sim, não tem q fazer sentido
bzzt! diz:
por si, digo
E.T. diz:
a leitura interpretativa das obras de arte perpassam o horizonte de conhecimento do sujeito, e por isso o fascínio das artes, falando agora em termos gadarmianos sob interpretação pensativa
E.T. diz:
divaguemos mais surrealisticamente, faz favor
bzzt! diz:
kkk
bzzt! diz:
pior q fez sentido pra mim
E.T. diz:
vc acha que este texto ficará robusto demais par aos nosso leitores dedicados do além tejo?
bzzt! diz:
acho que ficará piroso comum
bzzt! diz:
como eles dizem
bzzt! diz:
tive q olhar no dicionário
E.T. diz:
dictionarys suxs, legal, são divertidíssimos.
E.T. diz:
deveríamos brincar mais de escrever juntos
bzzt! diz:
eu gosto disso. tá lendo o q?
bzzt! diz:
tá sem tempo?
E.T. diz:
bem, eu li a metafísica do príncipe da filosofia, e agora pretendo reler o ensaio sobre o cinema
bzzt! diz:
quem é o tal príncipe?
E.T. diz:
Aristóteles, discípulo que superou o próprio Pai – Platão
bzzt! diz:
nunca li
E.T. diz:
vc deveria ler também, pra gente metamorfosear juntos
bzzt! diz:
tu gosta das tragédias?
E.T. diz:
gosto sim, embora alguns arquétipos sejam pesados para conceber da maneira usual
E.T. diz:
creio que agora já podemos postar
bzzt! diz:
sim. dá pra resumir, pr
E.T. diz:
enviemos para a redação, sil vous plait.
bzzt! diz:
kkk
E.T. diz:
bye, my friend
bzzt! diz:
. tu pode cuidar disso, plz?
E.T. diz:
até breve = cuido
bzzt! diz:
bj, véi
.
* Tiago Penna é candango, professor de filosofia, videasta, roteirista, produtor e mais outras coisas em audiovisual.
*Tio Onofre é formado por Daniel Guedes, Endrigo Bastos e Estêvão Vieira. Esta foi a primeira apresentação do grupo em Brasília. Nessa música tiveram a partipação de Biu, Érica e Gabriel.
Mas não é apenas isso, Fétido é um ser bizarro que vive pelos esgotos, se alimentando de lixo e secreção… Fétido é um ser andrógino que tem coração e sentimento. Esse “vídeo-trash-documentário-experimental” é uma rara oportunidade de vivenciar a “arte” escatológica.
Direção de Felipe Marinho.
Edição de Roberta AR.
A Java com carinho… (1ª parte)
É com muito prazer e satisfação que após cinco anos de esquecimento e descaso, fica pronta a terceira e última parte da trilogia artística experimental “Fétido” com o performaceman Java.Java.
O Vídeo “Fétido” faz parte de uma trilogia de trabalhos performáticos do Paraibano Java Ricarte (ora radicado na Espanha).
No inicio a idéia era chocar o público com performances que enfatizasse cenas grotescas e escatológicas, utilizando-se de recursos orgânicos – carne vermelha, sangue, excreções, vômitos com uma dosagem forte de música – Janis Joplin, Marilyn Manson, Prodigy.
O primeiro experimento é uma seqüência de fotos de Java nos salões do NAC (Núcleo de Artes Contemporâneo da Paraíba) atuando como “Fétido”. As fotos foram expostas junto com outros trabalhos do artista; porém a exposição causou frisson entre os “intelectuais das artes locais”, que colocaram em “xeque” a teorização e contextualização daquele trabalho.
A segunda parte foram apresentações ao vivo do artista; entre elas a primeira no Departamento de Artes da UFPB, e dias seguintes no Antigo Bar Sanatório: [hehehe (irônico) "Quem não lembra de Java espalhando tripas de galinha pela pista de dança do Sanatório, melando e sujando muita gente cocó da cidade"].
“Fétido” em vídeo finaliza essa seqüência de trabalhos idealizada por Java. Este vídeo é o ultimo fragmento performático da fase “grotesca orgânica” do artista. Porém, seguindo sua tendência artística, Java e mais um grupo de amigos “loucos”, inicia um novo experimento como vocalista da lendária A Mãe de Quem?
Mas tudo na vida é válido e com a finalização desse vídeo, fica documentado um trabalho inovador e polemico desse profissional que teve coragem de mostrar uma outra vertente de arte, cultura e dança (seja lá o que isso significa), atrevendo-se a quebrar tabus e conceitos presentes numa cidade bairrista e conservadora como João Pessoa.
Para alguns, será difícil entender ou elogiar tal atuação, para outros será uma experiência de estética grotesca ou trash; porém foi com esse tipo de expressão artística que Java conseguiu mostrar e impor seu valor como artista e como pessoa.
E eu… Na época um Clubber, estudante de comunicação, adorador do estilo grotesco de ser, não poderia esta fora dessa…
A todos uma ótima vivência… E até breve!!!
*Felipe Marinho é paraibano, radicado em Brasília. Especializado em coisas grotescas.
Roberta conversa com Evandro Esfolando, Alex Vidigal, Natinho e Lima sobre cultura e Brasília. Confira no Facada: http://tinyurl.com/ycp9f9r3 weeks ago