Facada Leite-Moça

William Blake Experience

04/09/2009 · 3 Comentários

*
blake1blake2

Introdução

Atentos ao bardo inspirado!

O ontem, o hoje, o amanhã ora vos digo.

Eis que ouvi o enunciado

Pelo verbo sagrado,

Que caminhou pelo pomar antigo,

No orvalho da noite a chorar,

E a convocar de volta a alma perdida;

Que pode controlar

Até o polo estelar,

E também renovar a luz caída!

Retorna, oh Terra, vem agora!

Deixa a relva orvalhada em que tu dormes;

A noite vai embora,

E já desponta a aurora

Das massas sonolentas e disformes.

Não queiras mais te afastar.

Por que alguém como tu se afastaria?

Todo o chão estelar,

Toda a costa do mar,

Hão de ser teus até que rompa o dia.”

blake3O torrão e o Seixo

O Amor jamais a si quer contentar,

Não tem cuidado algum com o que é seu;

Sacrifica por outro o bem-estar,

E, a despeito do Inferno, erige um Céu.”

Esse era o canto de um Torrão de Terra,

Pisado pelas patas da boiada;

Mas um Seixo, nas águas do regato,

Modulava esta métrica adequada:

O Amor somente a si quer contentar,

Atar alguém ao própio gozo eterno;

Sorri quando o outro perde o bem-estar,

E, a despeito do Céu, ergue um Inferno.”

Manter a leitura →

→ 3 ComentáriosCategorias: TEXTO

Cenas de um dia daqueles

28/08/2009 · 3 Comentários


por Mauro Castro*

Cena 1 – O Bugio é um taxista de estilo clássico: bigode bem aparado, gel no cabelo, barriga de chope e um inseparável palito no canto da boca.

Dia desses, estávamos eu e o Bugio no ponto quando duas jovens bonitas passam pela calçada. Depois de uma breve conversa entre elas, uma das garotas chega até o Bugio e pergunta se poderia fazer uma foto ao lado dele.

Enquanto a outra pega a máquina fotográfica, Bugio se prepara ao lado da jovem. Ajeita a camisa, encolhe a barriga e, claro, joga o palito fora, ao que a garota olha pra ele e diz:

– Ah, deixa pra lá, sem o palito na boca não tem graça!

.

Cena 2 – Em uma dia de serviço fraco, uma passageira embarca no táxi e diz que precisa ir até o teatro da Fiergs, do outro lado da cidade. Finalmente uma corrida boa.

Quando vou engatar a primeira marcha, para um carro ao lado do meu táxi com uma mulher ao volante. Ela abre o vidro, explica que não é de Porto Alegre e me pergunta como faz para chegar ao teatro da Fiergs. É claro que minha passageira avisa à estrangeira que também está indo pra lá. Minha futura cliente se desculpa, passa para o carro da mulher perdida e me deixa no ponto, chupando o dedo.

.

Cena 3 – Minha colega Luciane está em uma perseguição. No banco de trás do táxi, a esposa traída pede que ela não perca o carro do marido de vista. Em um sinal fechado, Luciane é obrigada a parar o táxi ao lado do carro do marido. A esposa abaixa-se no banco de trás.

Está calor, os dois carros estão com os vidros abertos. O marido, então, pega o celular e faz uma ligação. O aparelho da esposa, com o volume no máximo, toca no táxi ao lado.

Ele olha para a Luciane, que, prontamente, pega seu celular, como se fosse ele que estivesse tocando. Enquanto minha colega fecha os vidros, a mulher atende à ligação do marido no banco de trás. Maior sufoco!

E há gente que ainda acha que vida de taxista é fácil
.
* Mauro Castro é taxista em Porto Alegre e é conhecido na internet por seu blog Taxitramas, em que publica crônicas sobre o cotidiano do seu ofício. Entrevistamos ele por aqui há alguns anos.

→ 3 ComentáriosCategorias: TEXTO
Etiquetado:

Carta aos republicanos desconfederados

21/08/2009 · 3 Comentários

Por DigóesX*

Uma visão do Brasil musical

Ave tu ouvinte do irracional!
Em um Carnaval de rumores há música para meus ouvidos.

Olá como estão? Espero que muitíssimo bem e bem continuem quando nossos caminhos separarem-se, não que tenha que ser para hoje ou para amanhã, mas que venha quando lhe for apraz, não é verdade. É preciso falar-lhes um pouco o quanto cansa estar a par de tantas injustiças, não que vocês tenham que resolver, porém que apenas saibam que: Tão cansado estou, um misto de Atlas e Sísifo, não um cansaço físico ou mental, mas espiritual. Esta vida que até agora empreendi como músico (para os comuns) ou até mesmo tocador (como preferem os formados) é algo tão ilógico quanto é lutar para se formar na universidade, mas é uma vida de percalços, literalmente uma ida ao consultório, esta é a vida de músico.

O que faz movimentar o rock no Brasil na verdade: O underground? O inconsciente de ser um ídolo? O público? O desejo de hipnotizar o público feito Jim Morrison; de ser o eterno comedor de morcegos; de ser perseguido por multidões como os Beatles? Será que, o que faz sobreviver é tão somente uma incoerência entre o desconhecido e o reconhecido, onde por décadas esse tal de „rockeiro‟ foi um elemento aportuguesado como o que trazia a alcunha de inimigo público, um indivíduo desconhecido dos pais pelo o que fazia na calada da noite, mas bem reconhecido pela polícia como elemento anti-político? (Porque acredito que misturaram por falta de conhecimento o mainstream norte-americano porra-loca de visual punk com os punks?).

Será que o fim de uma geração plural e „ativista‟ (não importa quais grupos) gerou a visualização e uma corrida para um mainstream louco e sem noção baseado no imaginário popular de como é ser uma banda gringa e que precisando preencher essa mesma lacuna era preciso antes de qualquer coisa esquecer-se do Tropicalismo e da MPB para correr atrás de ser um blink182 da vida? Será que a ascensão e queda dos ritmos que embalaram os anos dourados e que hoje é trilha de universitários abriram fendas na represa Roosevelt do antiamericanismo nacional/cultural inundando de forma MTVística os pensamentos Jackssianos dos novos rockeiros de que tudo vale a pena se a alma é estreita e chapada? O que se percebe é que a fonte da qual bebemos hoje é de água de torneira e como sempre estamos perseguindo um mito do qual não pertenceremos e que por incrível que pareça possuímos inclinação natural, porém a nossa maneira, mas como bem se fala: “A grama do vizinho é sempre mais verde”.

Foi urubuservando a situação das bandas de rock no Brasil, de muito tempo, que resolvi escrever e tanto foi que me veio de tanto me questionar que realmente duas frases para mim se tornaram reais e inretaliáveis acerca da realidade rockeira do Brasil em toda a sua extrema-unção social: “A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes.” (Engenheiros do Hawaii) e “O rock brasileiro é uma farsa comercial!” (R.D.P); questões que refleti bastante e outra destas é a relação da internet como meio de divulgação e foi algo bem Freudiano me perguntar depois de horas à frente do PC o que faria e o que farei diante de tão inóspita vida conjugal? Fui a esta novidade virtual “o myspace”, pois o Orkut está „morrendo‟ e fiquei lá, saltando de página em página e muitas questões me vieram.

1º. Porque um país tão grande de contrastes extremos de sentido musical tão amplo como é o Brasil, só possui uma meia dúzia de bandas no mainstream e esta promoção em especial só coincide com a mídia televisionada e fora dela parece que nada existe?
2º. Será que esse mesmo underground endeusado está se tornando a catapulta para um mainstream pré-mainstream? Existirão dois subterrâneos da música na música? 3º> Porque sempre as tendências da moda musical ou da música da moda, diga-se de passagem, internacional importada para o Brasil, deixam rastros que em muitos casos só servem de rastro? Será que nosso rock‟n‟roll é sempre ultrapassado e por isso nunca acertamos no ponto ou quando chegamos a gravar e divulgar demorou tanto que não percebemos o tempo passar?
3º.Porque não amparamos mais outras Legiões Urbanas? Cazuzas? Sepulturas? planet hemps? Engenheiro do Hawai? Raimundos (como ressalvas pessoais)? Será que grupos ou cantores dos mais diversos e espontâneos só existem na MTV ou no Raul Gil? Será que estamos procurando de forma errônea os mitos ou criar os mitos de forma errônea?
4º. O que então é esse país carnavalesco que dinamiza tudo que absorve e que defende o fútil com garras cristãs de jesuíta catequista?

Não se trata aqui de defender o rock como algo benéfico, pois ele não é, mas apenas de liberar a passagem para que seus adeptos possam viver do que criam assim como os demais gêneros. Este gênero por mais que esteja arraigado em nossos dia-a-dia urbanos não é o nosso ritmo base da nossa sociedade visceral e é percebido que a nossa música popular é a nossa música herdada das miscigenações. Os muitos americanizados aqui (já que latinos somos nós) por não possuírem uma formação esclarecida e aceitação do seu meio social acabam por se confrontar com costumes musicais bem caseiros e isto não vos agrada por não combinar com seu tom de pele, mas isto também é outro truque do qual não iremos querer discutir aqui e sim qual o sentido do rock ser domesticado sabendo que o rock do Brasil não passa de um Padrão Estético Radical Juvenil o que é uma falha onde quem defende este tipo de questão não passa de um frustrado mesmo que tenhamos uns 60% de amadores; vejamos que há duas formas avaliadas como o êxtase do ouvinte em relação ao rock: O estilo GLAMouroso de se ter uma banda de rock; o estilo HEADBANGER de viver no rock; o estilo PUNK de se envolver com as coisas do rock e em todos os citados o que os brasileiros mais com admiração procuram é a velha máxima do SEXO, DROGAS e ROCK‟N‟ROLL.

Será que este desmerecimento musical se encontra mais por não termos algo de concreto no Brasil em relação a um ATIVISMO o que é marca noutros lugares, pois os jovens daqui muitos só entendem de Carpe Diem uma similitude do sexo, drogas e rock‟n‟roll? O jovem também não deixaria de ser um ATIVISTA/politizado por motivos de crendices religiosas onde o medo de morrer e ir para o inferno é mais cruel do que passar fome em vida e ter sua família destruída por corruptos? Bem, inúmeras questões e poucas respostas, mas o fato é que: sem o capitalismo o rock mainstream não vive, pensem nisso. Há necessidade de ser ATIVISTA para ser do rock?

Com a queda das gravadoras e ascensão da internet não melhoramos tanto assim, ainda estamos escassos e em dívida com a musicalidade brasileira de Norte a Sul, de Leste a Oeste e sem ser esta que a TV endeusa e propaga. Há uma lacuna gigantesca em relação à divulgação/público e essa redução mal aplicada do mainstream no underground está se tornando uma nova hipocrisia virtual formando novos conglomerados „S/A‟ prontos a ganharem dinheiro com as bandas e de bandas prontas a se destacarem para a mídia televisiva tudo ao sabor da moda do verão; então te pergunto quando é que você chama uma banda de underground? E ridiculariza outra por ser do mainstream? Se no Brasil já existe uma linha tênue entre a fama e a lama?

Acordem ouvintes! Ainda dormimos nesta harmonia moderna de duvidar da capacidade dos outros membros desta sinfonia social a que chamamos Brasil e que sempre deixa por pender-se nesta balança do status social pelo peso do ouro de ser reconhecidos. Manifestações sarcásticas como esta adentram como convencedores militares em nossas mentes verdes politicamente para apenas espalhar o terror das superioridades regionais. A todos lembro que: “Quem vê o futuro na verdade está vislumbrando o presente”, pois os inúmeros contratantes desta sociedade vivem na verdade é em um passado sem futuro.

Para tentarmos começar a entender alguns dos problemas que vamos criando por região e empurrando com a barriga é bom lembrarem de que o Brasil nunca se recuperou da sua má gestão nesta questão intercontinental de que somos socialmente constituídos (intercontinental no sentido de nada sabermos e nada fazemos para saber o que há dentro do Brasil de dimensões continentais), os Estados em sua maioria não possuem um formato viário de movimentação de seus cidadãos e imagine isso em relação às suas construções culturais, esta falha persiste até hoje em inúmeros locais que possuem um tato social criativo e cosmopolita e outras menores que são satélites seus nem se quer são vistos.

Uma das características desta desorganização está na manipulação dos Estados competentes para o bem estar social fazendo com que muitas localidades reduzam-se a ilhotas culturais aonde com muita luta podem ser vistos alguns seres sociais conseguindo ultrapassar estes vales da incomunicabilidade? Se não fosse a ascensão da tecnologia de comunicação estaríamos cada vez mais separados, porém jamais incomunicáveis.

A música flui por nossos corpos e suamos nossa musicalidade com hits passageiros e populistas, pois nossas vidas estão cada vez mais como os “ficas” e vão ficando os esdrúxulos com aquilo que mais fácil aparenta e vamos formando poças musicais para outros beberem do nosso dia-a-dia sonoterápico. Fazemos música só não temos logística para vendê-las e as gravadoras com seus interpretes e suas bandas desconhecidas mais serviram para nos manter fora do comércio musical mundial (uma trama?) e produtores Brasil a fora defecando idiotices musicais quase plágios daquilo que mais vendeu, fingindo entender de mercado vendendo mesmices e mediocridades rarefeitas esse é o Brasil Dantesco de hoje e sempre.

Então você se pergunta: O que é que tudo isso tem a ver com a música e eu?

a) Os velhos padrões mudaram. Tudo então pode ser refeito, mas a mediocridade musical só tende a piora.
b) A tecnologia facilita. Todos vocês podem ser vistos e ouvidos, mas só uma minoria te aceitará.
c) Tudo é música no mundo. Todos os sons e instrumentos são válidos, mas só uma minoria é confiável para criar.
d) Você pode ser seu próprio agente. Todos poderão tocar por aí, Mas o jabá jamais morrerá e a logística ainda será uma barreira entre você e os ouvintes.
Bem as questões estão aí e o princípio das conclusões também, leia, reflita e veja o que você pode fazer pelos demais!

.

* DigóesX é paraibano e não faz um blog próprio porque não acredita que teria leitores para repercutir e comentar.

→ 3 ComentáriosCategorias: TEXTO
Etiquetado:

___

14/08/2009 · 3 Comentários

Prólogo:

No momento mesmo em que você começou ler este texto, Digitus Linhares, que por ora chamaremos de Sr. Finados, abriu os olhos e viu que havia uma faca peixeira cravada até a metade em seu bucho. Algumas tripas suas tinham dado uma saidinha pela porta que a lâmina deixou aberta quando lhe trespassou e fizeram amizade com umas moscas varejeiras que passeavam por ali. O sangue havia coalhado na faca. Estava uma linda tarde de outono.

Ao tentar sacar a faca de suas entrelinhas expostas, com as cócegas que isso lhe provocava, rindo baixinho, Sr. Finados entendeu que estava morto. Escavacando um pouco sua chaga terminou por achar melhor deixar a faca lá, ao menos por enquanto, afinal ela deve estar aí por alguma razão, não é mesmo? Descobriu também, remexendo em seus bolsos, que foi vítima de um crime passional – sua carteira ainda estava lá, com um monte de cédulas dentro. E que se chama Digitus Linhares, trinta e três anos, registro geral número um cinco oito cinco dois dois cinco, natural de…

Não importa. Digitus Linhares está morto e livre deste nome embaraçoso.

Sr. Finados, então, levantou-se e foi fazer a única coisa que resta a alguém em sua atual condição: Assombrar. Estar morto não é nada de mais, mas todo mundo tem direito a um enterro, e ele também quer o seu.

EM LINHA RETA

“É como se eu estivesse morto”, pensou o Sr. Linhares com seus miolos em decomposição, fumando um careta que catou no chão, observando as pessoas passarem impassíveis por ele na rua. Ele está já a algum tempo se esforçando por lembrar-se de alguém ou alguma coisa, mas não consegue lembrar de nada nem de ninguém. Levantou-se e foi tentar achar o próprio nome na lista telefônica. Não havia mais ninguém com esse nome na cidade. Digitus Linhares achou-se a pessoa mais solitária do mundo. E no mesmo instante sentiu que estava sendo observado. Havia mais alguém ali com ele, alguém que o via, que lhe podia ver, alguém com respostas, talvez.

E no entanto o mundo ao seu redor girava de soslaio.

Digitus Linhares decidiu ir fundo nessa questão, ir mais fundo até que o própio fundo, a la crack. E depois de meditar por horas a fio chegou a conclusão de que aquilo era sem condição, não podia ser, que sua situação era absurda, ou ele existia ou não, não havia meio termo para isso. Ou havia? E se até existir é relativo?

Deu um pulinho em uma mãe de santo pra ver qual é. Não pegou nada. Dona Maria de Xangô, uma novata, não soube entender o Sr. Linhares em toda sua complexidade, rolou um frevinho momentâneo, todos passam bem.

Digitus Linhares sonhou que caminhava com uma pá a tiracolo em meio a um enorme parque de diversões. A terra encantada, o castelo de cristal, o navio pirata, a cidade adormecida, a floresta de fogo que consome almas… Entre a caverna do dragão e o país dos duendes ele parou e começou a cavar uma cova rasa onde deitou-se e começou esperar pacientemente que algo acontecesse. Esperemos…

Mais um pouco…

Nada aconteceu. Digitus Linhares acordou. A faca ainda estava lá, ele ainda estava morto: Alguém ainda o está vigiando. Talvez você. Talvez o Sr. Linhares esteja profundamente equivocado, talvez ele esteja, em sua busca pela morte, vivo, e em sua ignorância pela vida, morto, de maneira que não são os outros que não podem vê-lo, é ele que se esconde em si dos outros, que assim acabam irrelevantes nessa história, a história do funeral do Sr. Linhares. Mas os outros são os outros, e você é você, que passou até aqui a discorrer sobre as vísceras literárias de Digitus Linhares, vítima de escrutínio.

Tenha, pois, dó desse coitado e pare de esfaqueá-lo com os olhos, abandone o texto, interrompa o aruspício de Digitus Linhares, e deixe cair enfim a última pá de cal sobre a memória oblíqua desse andarilho de linhas retas em sua viagem infinita até o ponto final, deslizando em espiral pelo ralo de um buraco negro de sete palmos luz de profundidade, descendo cada vez mais fundo para dentro da próxima frase.

Epílogo:

Aqui Jaz Digitus Linhares. Sua vida foi um livro aberto.

→ 3 ComentáriosCategorias: TEXTO
Etiquetado:

Depois de um LSD

07/08/2009 · 1 Comentário

Os Haxixins*


Depois de um LSD

*Os Haxixins é grupo de garage rock paulistano, que já fez duas turnês pela Europa e estreou seu novo videoclipe, Depois de um LSD, na MTV. Contatos no endereço: www.myspace.com/oshaxixins.

→ 1 ComentárioCategorias: VÍDEO
Etiquetado:

Parada da Polícia de Nova Iorque, 1 de Junho de 1899

31/07/2009 · 1 Comentário

por Thomas Edison*

*Thomas Alva Edison (Milan, 11 de Fevereiro de 1847 — West Orange, 18 de Outubro de 1931) foi um inventor e empresário dos Estados Unidos que desenvolveu muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial. O Feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), como era conhecido, foi um dos primeiros inventores a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção.

O filme mostra o desfile dos membros do “New York’s Finest”, em uma Union Square lotada de gente. Podemos ver membros do Esquadrão da Bicicleta, cavalos montados, e duas bandas do regimento. No momento da filmagem, o departamento de polícia da cidade de Nova Iorque ainda estando tentando se recuperar dos escândalos de corrupção do início dos anos 1890, que severamente mancharam a reputação do departamento. Um grupo designado pelo Estado-Senado, conhecido como a Comissão Lexow, tratou de investigar emitindo um relatório contundente que mostrava em detalhes as graves atividades criminosas dentro do departamento. Em 1895, a opinião pública era tão desfavorável que o desfile anual não foi realizado. Naquele mesmo ano, Theodore Roosevelt foi nomeado diretor Chefe da Polícia e a ele foi atribuído o início de uma rigorosa e eficaz reforma que incluiam medidas que ajudaram a restaurar a confiança do público na polícia.

→ 1 ComentárioCategorias: VÍDEO
Etiquetado:

Salvem a Roberta!

17/07/2009 · Deixe um comentário

por Roberta

A colônia se estabeleceu naquela região. O ambiente era propício. Relevo e clima, adequados. Eram os 16 anos de Roberta, na segunda fase de sua Era Fisiológica.

No início eram poucos, que, rapidamente, se tornaram milhões, nas sucessivas gerações que habitavam a fronte. “A civilização!”, os expansionistas exultavam em seus discursos inflamados, que empolgavam a população, em especial a que vivia nos seios da face.

- Temos que chegar ao topo do osso nasal! Esse será o nosso legado às futuras gerações!

Porém este não era um discurso que convencia a todos. Roberta não era mais um ambiente tão abundante em recursos quanto no início da colonização. Os ambientalistas previam um colapso iminente no corpo, que já estava no fim da sua terceira fase fisiológica.

- Não podemos esgotar todos os recursos. Corremos o risco de provocar um aquecimento global e tornar toda a Roberta inabitável.

Marchas “Salvem a Roberta” foram realizadas nos seios da face e no osso frontal. Em represália, atos de violência foram comandados pelos expansionistas, que controlavam as forças armadas.

Exatamente neste período, a umidade aumentou consideralvemente, e os ambientalistas afirmavam que já eram os efeitos do aquecimento global. Glóbulos brancos passaram a ser mais freqüentes e dizimavam grande parte dos germes, para a ira dos expansionistas, que decidiram pelo controle total do corpo.

- Salvem a Roberta! Salvem a Roberta! – gritavam os que queriam preservar aquele ecossistema.

Mas os germes passaram a habitar em toda a parte, exaurindo os recursos rapidamente. Roberta começou a aquecer de maneira drástica, pegando toda a população de surpresa. Chegou aos 42 graus centígrados, o que gerou um tsunami fleumático, que eliminou praticamente toda a colônia.

O resultado final: o ocaso. Era o fim de Roberta, como nas previsões mais pessimistas.

→ Deixe um ComentárioCategorias: TEXTO
Etiquetado:

Baixe aqui…

03/07/2009 · Deixe um comentário

.. o livro A IMPORTANTE DAS PALAVRAS ORDEM É.

por Stevz*

* Stevz é brasiliense, ilustrador e músico. De vez em quando ele escreve.

Aqui também tem PDF da Bongolê #1

→ Deixe um ComentárioCategorias: ILUSTRAÇÃO · TEXTO
Etiquetado:

3 – Uma corrida de comitê e uma longa história

26/06/2009 · 1 Comentário

por Lewis Carroll e John Tenniel*

(de Alice no país nas maravilhas)

alice10a

Aquela era com certeza uma turma estranha que se reunia nas margens do lago: os pássaros com suas plumas arrastando, os animais com o pêlo grudado no corpo, e todos pingando, irritados e desconfortáveis.

A primeira questão era, evidentemente, como se secarem: eles estavam reunidos em conselho para decidirem sobre isso e depois de poucos minutos parecia natural para Alice encontrar-se conversando familiarmente com eles, como se ela os tivesse conhecido toda a vida. Na verdade, ela travava uma longa discussão com o Papagaio australiano, que no final tornara-se zangado, e falara, “Eu sou mais velho que você, e devo saber mais.” E com isso Alice não podia concordar, sem saber a idade dele, e como o Papagaio recusava-se terminantemente a dizer sua idade, nada mais havia a dizer.

Finalmente o Rato, que parecia ser a pessoa de maior autoridade entre eles, bradou, “Sentem-se, todos vocês, e ouçam-me! Eu vou fazê-los secar.” Eles sentaram-se então em círculo, com o Rato no meio. Alice mantinha seus olhos fixados ansiosamente nele, pois ela tinha certeza que pegaria um resfriado se não secasse logo.

“Aham!” disse o Rato com um ar de importante. “Vocês estão todos prontos? Essa é a coisa mais seca que eu conheço. Silêncio na roda, por favor! William o Conquistador, cuja causa foi favorecida pelo Papa, logo submetido pela Inglaterra, que desejava líderes, acostumada à usurpação e à conquista. Edwin e Morcar, os condes de Mercia e Northumbria…”

“Ugh!”, disse o Papagaio, com um calafrio.

“Desculpe-me” interferiu o Rato, carrancudo, mas educadamente. “Você falou alguma coisa?”

“Eu não!” respondeu o Papagaio, rapidamente.

“Pensei que tivesse”, retrucou o Rato. “Prosseguindo: Edwin e Morcar, os condes de Mercia e Northumbria, declararam para ele; e ainda Stingand, o patriótico arcebispo de Canterbury, achou que…”

“Achou o quê?”, perguntou o Pato.

“Achou que”, o Rato replicou irritadamente, “é claro que você sabe o que que significa.”

“Eu sei o que que significa muito bem, quando sou eu que acho”, afirmou o Pato, “geralmente é um sapo ou uma minhoca. A questão é: o que o arcebispo achou?”

O Rato não entendeu a pergunta, mas apressadamente foi em frente: “achou que era aconselhável conhecer William e oferecer-lhe a coroa. O procedimento de William no início era moderado. Mas a insolência dos seus normandos…como você está indo, minha querida”, ele continuou, virando-se para Alice enquanto falava.

“Tão molhada quanto antes”, respondeu a menina em um tom melancólico, “isso não está parecendo me secar afinal.”

“Nesse caso”, disse o Dodo solenemente, levantando-se, “eu proponho que a assembléia seja suspensa para a adoção imediata de medidas enérgicas…” “Fale inglês”, gritou o Papagaio.

“Eu não sei o significado de metade dessas palavras, e mais, não acredito que você saiba.” E o Papagaio torceu a cabeça para esconder um sorriso: alguns dos outros pássaros riram às escondidas audivelmente.

“O que eu estava dizendo”, retomou o Dodo em um tom ofendido, “é que a melhor coisa para nós secarmos seria uma corrida de comitê.”

“O que é uma corrida de comitê?”, perguntou Alice. Não que ela quisesse mesmo saber, mas o Dodo fizera uma pausa como se pensasse que alguém deveria falar, e ninguém parecia inclinado a dizer nada.

“Bem”, disse o Dodo, “a melhor maneira de explicar isso é fazendo.”

(E, como talvez você queira tentar essa corrida em algum dia de inverno, vou contar como o Dodo fez.)

Primeiro ele delimitou a pista de corridas como um tipo de círculo (a forma exata não importa, ele dissera) e então todo o destacamento foi distribuído pela pista, aqui e ali. Não houve o tradicional “Um, dois, três e já!”, mas todos começavam a correr quando queriam e paravam quando queriam, daí não era fácil saber quando a corrida terminava. Entretanto, quando eles já estavam correndo há mais ou menos meia-hora, e já estavam quase secos, o Dodo repentinamente gritou: “A corrida está acabada”.

Então, todos se aglomeraram em torno dele, ofegando e perguntando:

“Mas quem ganhou?”

Essa pergunta o Dodo não poderia responder sem pensar muito, e ficou parado um bom tempo com um dedo sobre a testa (a posição na qual você normalmente vê Shakespeare nas gravuras) enquanto o resto do pessoal ficava em silêncio.

“Todos ganharam, e todos devem ganhar prêmios.”

“Mas quem dará os prêmios?”, um coro de vozes perguntou.

“Ora, ela, claro”, respondeu o Dodo, apontando Alice com o dedo, e já toda a turma rodeava a menina, gritando de maneira confusa: “Prêmios! Prêmios!”

Alice não tinha a menor idéia sobre o que fazer, e, em desespero, colocou a mão no bolso e puxou uma caixa de confeitos (felizmente a água salgada não entrara nela), e distribuiu as balas como se fossem prêmios. Deu na conta exata, um para cada um.

“Mas ela precisa ganhar um prêmio também”, lembrou o Rato.

“É claro”, replicou o Dodo solenemente. “O que mais você tem no bolso?”, e se virou para Alice.

“Apenas um dedal”, respondeu a menina tristemente.

“Dê-me”, pediu o Dodo.

Então novamente eles a rodearam, enquanto o Dodo solenemente a presenteava com o dedal, dizendo:

“Nós gostaríamos que você aceitasse esse elegante dedal”, e ao final desse pequenino discurso, todos o aplaudiram.

Alice achou a coisa toda muito absurda, mas eles pareciam tão sérios que ela não ousou rir, e, como não podia pensar em nada para dizer, simplesmente fez uma reverência e apanhou o dedal, parecendo o mais solene possível.

A próxima coisa a fazer era comer os confeitos; isso causou algum barulho e bagunça, pois os pássaros grandes reclamavam que não podiam saborear os seus e os pequenos engasgavam e tinham que levar palmadas nas costas. Entretanto, afinal todos terminaram e sentaram-se em círculo, pedindo ao Rato para lhes contar alguma coisa.

“Você prometeu nos contar sua história, você sabe”, disse Alice, “e o porque você odeia G e C”, ela terminou sussurrando, com medo que ele se ofendesse novamente.

“A minha é uma longa e triste história!”, disse o Rato, virando-se para Alice, suspirando.

“É uma longa cauda, certamente”, replicou Alice, olhando para o rabo do Rato com admiração, “mas porque você a chama de triste?”

Alice continuava confusa sobre isso enquanto o Rato estava falando, pois a história que ele contava era mais ou menos assim:

O Monstro disse

ao rato,

Que ele

conheceu

em casa,

“Vamos

logo para o

tribunal: nós dois

Eu vou te

processar! —Pode,

vir logo,

não vou querer

adiar nem

um minuto

o julgamento

vai ser agora

Não tenho mesmo

nada para

fazer

esta manhã.”

Disse o

rato para o

monstro, “Este

processo,

prezado senhor,

sem

júri

ou jurados,

vai ser

uma grande

perda

de tempo.”

“Eu serei o

júri. Eu

serei o juiz,”

respondeu

o esperto

Furioso.

“Eu vou te

julgar

agora

e agora,

vou

condená-lo

à

morte!”

“Você não está prestando atenção!”, disse o Rato para Alice, severamente. “No que você está pensando?”

“Desculpe-me”, respondeu Alice humildemente, “você já estava na quinta volta, não é?”

“Eu não!”, gritou o Rato com voz aguda, muito bravo. “Você não presta atenção em nós!”

“Um nó!”, disse Alice, sempre pronta para ajudar, olhando para todos os lados. “Deixe-me ajudar a desfazer esse nó.”

“Eu não disse nada desse tipo”, disse o Rato, levantando-se e andando. “Você me insulta falando estas besteiras.”

“Eu não quis dizer isso”, suplicava a pobre Alice. “Mas você se ofende tão facilmente!”

O Rato apenas rosnou em resposta.

“Por favor, volte e termine sua história!”, Alice chamava. E todos os outros juntaram-se em coro:

“Sim, por favor, conte!”

Mas o Rato apenas balançava a cabeça impacientemente e caminhou ainda mais rapidamente.

“Que pena que ele não queira ficar”, suspirou o Papagaio, e logo o Rato já estava longe. E uma velha Carangueja aproveitou a oportunidade para dizer à sua filha:

“Ah!, minha querida. Que isso lhe sirva de lição para que você nunca perca o seu humor.”

“Segure sua língua, Mãe”, retrucou a jovem Carangueja, de um jeito meio impertinente. “Você acaba com a paciência de qualquer ostra.”

“Eu queria que nossa Dinah estivesse aqui”, disse Alice em voz alta, dirigindo-se a ninguém em particular. “Ela iria logo logo trazê-lo de volta.”

“E quem é Dinah? Se é que eu posso fazer esta pergunta”, interveio o Papagaio.

Alice replicou ansiosamente, porque ela estava sempre pronta para falar do seu animalzinho de estimação:

“Dinah é a nossa gata. E ela é muito boa para pegar ratos, você nem pode imaginar…E, oh, eu queria que você a visse atrás de pássaros! Ela pode comer um passarinho tão rápido quanto olhar para ele!”

Esse discurso causou uma forte sensação entre o destacamento. Alguns pássaros fugiram: uma velha Matraca começou a se agasalhar muito cuidadosamente, observando: “Eu realmente preciso ir para casa, o sereno não cai bem para minha garganta!”

E uma Canária chamou numa voz trêmula seus filhotes: “Vamos, meus queridos! Já está na hora de vocês estarem na cama!”

Com diversos pretextos todos se foram, deixando Alice sozinha.

“Eu acho que não deveria ter mencionado Dinah”, ela disse em um tom melancólico. “Parece que ninguém gosta dela aqui em baixo, e eu tenho certeza que ela é a melhor gata do mundo! Oh minha querida Dinah! Eu queria saber se volto a vê-la algum dia! E aqui a pobre Alice começou a chorar novamente, pois se sentia muito solitária e deprimida. Em pouco tempo, entretanto, ela novamente ouviu o barulho de passos à distância e olhou ao redor impacientemente, meio que esperando que o Rato tivesse mudado de idéia e voltado para terminar a história.

alice-tennile2-hall

.

*Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson 1832-1898) foi um escritor e um matemático britânico. Autor de Alice no país das maravilhas (1865), do qual extraímos este capítulo, e de sua continuação, Alice através do espelho (1872), entre outros livros.

John Tenniel (1820-1914), foi ilustrador britânico. Seu trabalho mais reconhecido são as ilustrações para as obras de Lewis Carroll: Alice no país das maravilhas, algumas delas publicadas aqui, e Alice através do espelho.

→ 1 ComentárioCategorias: ILUSTRAÇÃO · TEXTO
Etiquetado: ,

A Ilha do Tesouro

20/06/2009 · Deixe um comentário

por Robert Louis Stevenson*

treasure-island-map

O papel havia sido selado em diversos lugares por meio de um dedal, em vez de sinete; talvez o mesmo dedal que eu havia encontrado no bolso do Capitão. O Doutor abriu o lacre com muito cuidado e de lá caiu o mapa de uma ilha, com latitude e longitude, sondagens de profundidade, nomes de colinas, baías e angras e cada particular que pudesse ser necessário para levar um barco a uma ancoragem segura em suas praias. Tinha mais ou menos nove milhas de comprimento por cinco de largura e o formato aproximado de um dragão gordo empinado sobre as patas traseiras; tinha, além disso duas ótimas localizações para portos protegidos pela terra; e uma colina na parte central marcada “A Luneta do Marinheiro”. Havia várias adições de data posteriores; porém, acima de tudo, três cruzes em tinta vermelha – duas na parte norte da ilha e uma na sudoeste. Ao lado desta última, na mesma tinta vermelha, com uma letra pequena e clara, muito diferente dos caracteres meio tortos do Capitão, havia estas palavras: ” A parte principal do tesouro está aqui”.
Na parte de trás a mesma mão havia escrito estas informações:

” Árvore, alta, flanco da luneta, tendo um ponto voltado para N de NNE. Ilha do Esqueleto ESE por E. Três metros. A prata em barra está no depósito do norte; você pode encontrá-la seguindo a senda da colina do leste, dez braças ao sul do rochedo negro que tem um rosto. As armas são fáceis de encontrar, na colina de areia a N, na ponta norte do cabo da angra, na direção E e a um quarto de N.
JF.”

Isto era tudo, mas mesmo sendo breve e, para mim, incompreensível, o Conde e o Dr. Livesey ficaram cheios de alegria.

.

* Robert Louis Stevenson (1850 – 1894) publicou suas primeiras obras em 1878. É mais conhecido por A ilha do Tesouro, de 1883 – a princípio uma história para entreter seu enteado – e O Médico e o Monstro, de 1886. Morreu em 1894, de hemorragia cerebral, enquanto trabalhava em sua obra-prima inacabada, Weir of Hermiston. O mapa aqui publicado também é de sua autoria.

→ Deixe um ComentárioCategorias: ILUSTRAÇÃO · TEXTO
Etiquetado:

Zé Caipora

12/06/2009 · 1 Comentário

por Angelo Agostini*

agostini1ux2

——

agostini2

.

* Angelo Agostini (Vercelli, 1843 — Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 1910) é um dos precursores dos quadrinhos no mundo e um dos primeiros quadrinistas brasileiros. Também foi um dos primeiros cartunistas brasileiros e considerado por muitos o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Sua carreira teve início quando estouravam os primeiros combates da Guerra do Paraguai (1864) e prolongou-se por mais de quarenta anos. Em seus últimos trabalhos, testemunhou a queda do Império e a consolidação da República oligárquica.

Seu principais personagens foram Nhô-Quim e o Zé Caipora. Agostini também foi o inventor da “revista em quadrinhos”: devido ao grande sucesso de Zé Caipora, ele compilou os capítulos semanais do personagemem fascículos mensais, que também foram sucesso de vendas. Além disso, o artista ainda foi um dos fundadores da mais importante revista infantil brasileira: O Tico-Tico.

→ 1 ComentárioCategorias: QUADRINHO
Etiquetado:

Rio de Janeiro, século XIX

05/06/2009 · 1 Comentário

* Coleção Thereza Christina Maria

Igreja Matriz

Igreja Matriz do Rio de Janeiro, vista frontal

.

Cemiterio Novo
Cemitério Novo

.

Estacao Nova Friburgo
Estação de Nova Friburgo

.

Palacio Imperial
Palácio Imperial e adjacências

.

Passeio
Passeio da Praça da Confluência e residencia do Barão de Mauá

.

.

*A coleção Thereza Christina Maria é composta por 21.742 fotografias reunidas pelo Imperador Dom Pedro II (1825-91) ao longo de sua vida e por ele doadas  à Biblioteca Nacional do Brasil. A coleção abrange uma ampla variedade de assuntos. Documenta as conquistas do Brasil e dos brasileiros no século XIX e também inclui muitas fotografias da Europa, África e América do Norte. A Igreja da Matriz (Igreja Principal) de Petrópolis estava localizada naRua da Imperatriz, agora conhecida como Rua Sete de Setembro. A igreja foi demolida em 1924, mas um dos seus painéis interiores foi conservado no Museu Imperial. Esta é uma fotografia de uma série tirada no final da década de 1860 por Pedro Hees, considerado por muitos o pai da fotografia brasileira, mostrando os locais mais importantes de Petrópolis, um local popular de férias de verão dos brasileiros abastados, situada na serra fora da cidade do Rio de Janeiro.

→ 1 ComentárioCategorias: FOTO
Etiquetado:

Motivo Onze (ou Valsa nº 6 dos Mutantes)

29/05/2009 · 1 Comentário

por Biu e Stevz*

1. Eu consigo ouvir o tilintar dos segundos que escorrem do relógio de parede quando caem quicando no chão atrás de mim. Em breve a sala estará cheia deles e será difícil transitar, mais um pouco e o lugar estará inundado, e sufocaremos todos.

biu1-web

biu2-web

2. Lá embaixo o tempo vai ficando cada vez mais curto à medida que avança, a sala afundou até a medida dos pés do cristo pendurado na parede, até os pés da cruz – o cristo não está mais lá, despregou-se e saiu andando sobre as águas do tempo, não sei se volta. Lá embaixo, agora, a sala vazia, cheia de si, em seu meio boia o esquife, muda testemunha desse estranho naufrágio. Lá fora crianças brincando na rua…

Cá em cima eu espero a minha hora tocando uma valsinha, uma que compus especialmente para o Manoel Manco, mas que é dedicada a todos os que vieram aqui hoje, vieram porque quiseram, não os convidei, nem fui convidada, nem eu nem minha irmã, tenho certeza, e agora ela está lá embaixo com os outros, submersa, como os outros. Chegaram, entraram, foram se sentando e se servindo e nem sequer para perguntar quem é o morto. E afinal quem é o morto? – Pergunta-me Johnny.

Eu páro a música. Ou a música me pára, não estou bem certa.

- Bem, eu tenho uma teoria sobre isso, meu caro Johnny, e ela é a seguinte:
Você sabe o endereço daqui?
- Não.
- Esse casarão onde estamos, você observou alguma janela?
Várias – Respondeu Johnny.

- E você já tentou apreciar a paisagem? Não? É porque não há paisagem. Estamos aqui morrendo de medo da morte enquanto nos velamos uns aos outros, Johnny. E você me pergunta quem é o morto…

- E volto a perguntar: Quem é o morto?

biu3-web

.

* Stevz é brasiliense, ilustrador e músico. De vez em quando ele escreve.

→ 1 ComentárioCategorias: QUADRINHO · TEXTO
Etiquetado: ,