por André
Clip gravado numa manhã de maio de 2007, em São Paulo. Música acidental (e incidental) Spiralling de Antony and The Johnsons.
por André
Clip gravado numa manhã de maio de 2007, em São Paulo. Música acidental (e incidental) Spiralling de Antony and The Johnsons.
Categorias: VÍDEO
Etiquetado: André Rafaini Lopes

Desenho de Blue Note em primeira versão
por André
Saiu, amigos do Facada! Finalmente, saiu! A tão esperada Blue Note, graphic novel com roteiro de Biu (colaborador e sócio-fundador deste blog) e desenhos de Shiko, foi publicada! Rapaz, com direito a lombada quadrada e tudo!
Acredito que o atraso e toda energia gasta no processo compensaram. Entretanto, só reforça os argumentos do Lourenço Mutarelli que diz abandonar a criação em quadrinhos para a literatura, pois exige muito menos recursos e tem maior repercussão. Aliás, o desenhista paulista aparece em Blue Note – com direito a cartaz de Diomedes (detetive da Trilogia do Acidente) e a um suspeito remédio escondido no armário do protagonista.
Personagem, este, que é Biu e conta histórias – meio auto-biográficas e meio ficcionais – de Rio Tinto, cidadezinha da Paraíba. Como fica claro de início – e que parece um contra-senso para quem mora em regiões mais movimentadas – a calmaria urbana não é sinônimo de paz de espírito e o tempo vago pode muito bem ser usado para elucubrações mentais ou para atividades bem menos nobres. A sorte é Biu ter escolhido o primeiro caminho. Em Blue Note, ele se divide em inúmeros personagens de realidades paralelas, que eventualmente se cruzam.
Curiosamente, vi há poucas semanas o documentário Quem somos nós? (What the #$*! Do We (K)now!? , 2004, já em DVD) que explica algumas teorias da física quântica, mostrando como a realidade pode ser muito mais maleável do que imaginamos. E mais, tenho acompanhado uma amiga que estuda uma Escola de Sabedoria cujos motes são justamente a consciência da pluralidade das realidades, concentração, auto-percepção e a noção de que nosso corpo está apto para responder mecanicamente a alguns estímulos físicos e, o que é impressionante, intelectuais. A história de Biu esbarra em tudo isso.
Indo adiante, não posso deixar de comentar os desenhos de Shiko, que são impressionantes. Will Eisner encontra Moebius. Curti muito os enquadramentos, ângulos, colorização (em PB), ritmo. Mas o que eu achei mais delicioso – além dos diversos Easter Eggs relacionados ao mundo dos quadrinhos – é descobrir um barman muito parecido com o Biu verdadeiro, a Morte com a mesma compleição de Roberta (editora, sócio-fundadora deste blog e eterna namorada do escritor) e alguns costumes característicos do casal, tal como o apurado gosto musical e a fixação por bexigas (fora de São Paulo leia “balões”, preciso manter os maneirismos, sacumé).
Outra força do traço é a capacidade de traduzir visualmente alguns cenários típicos do Brasil – tendo a não gostar, quando uma história em quadrinhos nacional está ambientada em cidades genéricas.
E para não dizer que a resenha é muito chapa-branca, aqui vai uma crítica: faltou uma última revisão de texto. Minha cópia veio com algumas correções feitas a caneta preta – nada que não possa ser corrigido nas próximas edições.
Que venham novas tiragens! E que se arranje um bom sistema de distribuição para o Sul-Maravilha!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
[19:05] EU: Foi tudo bem lá no médico?
[19:06] EU: SIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
[19:06] EU: SADONAAAAAAAAAAAAAA
[19:06] EU: SINENENAAAAAAAAAAAAA
[19:06] EU: ei…
[19:06] EU: ô!
[19:06] EU: psiu!
[19:06] EU: psit!
[19:07] EU: que saco… queria falar com vc antes de ir embora!
[19:10] EU: I just hate you when you’re Away from Computer
[19:11] EU: Vou prender a respiração até vc voltar!
[19:12] EU: AAAAAAAAAAAAA…….*
[19:12] EU: até agora normal…
[19:12] EU: levemente vermelho…
[19:12] EU: vermelhinho
[19:12] EU: vermelho…
[19:12] EU: vermelho muito forte…
[19:13] EU: vermelho quase roxo…
[19:13] EU: roxo.
[19:13] EU: roxo claro…
[19:13] EU: roxo quase azul…
[19:13] EU: azul…
[19:13] EU: azul clarinho…
[19:13] EU: Elvis? O que faz sentado do meu lado?
[19:13] EU: The light! I see the light!
[19:15] EU: Isso vai pro meu blog!
[19:15] EU: Tô te falando!
[19:15] EU: COmo alguém pode ficar logada por tanto tempo e longe do computador?
[19:16] EU: Tô desistindo…
[19:17] EU: desistindo…
[19:18] EU: Apertando botão de desligar!
[19:18] EU: Meu computador “está sendo” desligado!
[19:18] EU: Tchau…
[19:19] EU: fui!
[19:19] EU: Áufidezem!
[19:19] EU: See ya!
[19:19] EU: ¡Hasta Luego!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
Osamu Tezuka é considerado o Disney japonês. Não gosto muito dessas comparações, mas dá para se imaginar um pouco da força cultural do autor. Enfim… Esse textinho é só pra babar um pouco na genialidade de Tezuka.
Atualmente em publicação no Brasil, Buda conta a vida do líder espiritual com pitadas de ficção. No total, são 14 livrinhos que cobrem desde a juventude do príncipe indiano até seus últimos dias. Além de inúmeras histórias paralelas, o desenhista passa alguns fundamentos dos ensinamentos de Buda e deixa transparecer diversas discussões sobre política e sobre como uma religião pode perder seu caráter ideológico para virar uma instituição como todas as outras. Pois bem. Numa dessas, Tezuka nos apresenta um monge que não abdicou plenamente de seu ego e ainda sonhava um Budismo montado sobre templos grandiosos e de hierarquias rígidas. Vale lembrar que apesar do tema, a publicação é voltada para crianças! Pergunto: quando um brasileirinho se depararia com um debate desses em algum gibi do Maurício ou mesmo do Disney?
Voltando: o dito monge decide, então, fazer um acordo com um príncipe que, pode decreto e na ausência de Buda, determinou que se transformasse no líder dos budistas. Só tirando os escolhidos por Buda do comando, ele poderia reorganizar o grupo à sua vontade. Por uma pegadinha semântica, o golpe foi evitado. A lei dizia que “Os seguidores deveriam adotá-lo como autoridade suprema” e não “Todos os seguidores”.
Os escolhidos por Buda, muito melhores intencionados, decidem que o decreto seria cumprido em seus termos e lançam a pergunta ao rebanho. Seguiria o monge golpista quem assim o quisesse.
E aqui aponto outro aspecto da genialidade de Tezuka. Acompanhe os quadrinhos no qual o traidor clama à multidão (leia da direita para a esquerda, inclusive os balõezinhos – o livro é publicado no formato original).

Não bastasse a complexidade do roteiro, Tezuka é dono de uma habilidade ímpar para o humor – que é empregada até hoje na linguagem dos mangás. Como poucos ele sabia misturar registros. Quando menos se espera, lá está uma sacada de mestre.
Essa imagem acima é um exemplo de arrepiar. No primeiro quadrinho, os dois líderes escolhidos por Buda. No segundo, o golpista. E, no terceiro, a referência cruzada. Para mostrar quais monges se desgarrariam, Tezuka tomou emprestado uma das cenas de maior impacto do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, Spielberg,1977). Nele, cientistas saem pelo mundo, mapeando a ocorrência de aparições dos discos voadores e de uma música que os acompanhava. Terminam por chegar à Índia, onde a combinação de notas era entoada como mantra por um grupo enorme de pessoas. Os cientistas as encontram reunidas e cantando. Como o auxílio de um intérprete, perguntam aos gritos de onde veio aquela melodia. Os indianos respondem com um único gesto: o dedo em riste, apontando os céus. Até então, a câmera captava os cientistas ao fundo, num nível mais elevado, cortando tudo o que estava abaixo deles. O gesto vem na altura exata para irromper na tela. Assustando o espectador por revelar de forma abrupta que aqueles personagens ainda estavam na cena e também pela quantidade de pessoas que provavam de maneira irrefutável que os OVNIs não eram frutos da imaginação.
Tezuka magistralmente brincou com a solução de Spielberg e, como moleque, deixou patente que aprontara uma arte. Nos balõezinhos, um monge grita o nome do cineasta americano e outro, num pentagrama, canta as notas dos discos voadores.
Com o final da publicação de Buda. Só nos resta mantermos o espírito zen, enquanto esperamos o novo lançamento da Editora Conrad: Adolf, a gibiografia de Hitler, também das mãos de Osamu Tezuka.
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
Zumbis. Disso eu tenho medo. Alien e Predador? Improvável. Jason e Krueger? Vendidos. Vampiros? Alho e cruz. Lobisomen? Noites sem lua. Mas eu pergunto: quem segura uma horda de mortos-vivos?
A selvageria incontida é o que me assusta. A massa.
E ontem fiz uma descoberta. Zumbis podem correr.
Deixo aqui um alerta ao leitor do Facada. Caso um amigo comece a empalidecer. Caso as veias se destaquem, marcadas por um sangue já coagulado. Caso comece a babar sangue e a olhar pra você de modo estranho. Corra. Melhor: se tranque num aposento e comece a rezar para que algum aventureiro de plantão tenha menos piedade do rosto amigável e estoure os miolos do zumbi – essa é a única forma de contê-lo.
Não se esqueça de fazer promessas para que isso aconteça antes de redivivo morder alguém, alastrando a maldição. Sim, porque basta uma ferida para a infecção passar adiante.
Não sei como consegui dormir depois de A madrugada dos mortos (Dawn of the dead, 2004). Ao apagar a luz do meu quarto, daria um salto se alguém por maldade agarrasse meu pé no escuro. Se inventasse de me morder, então…
Dificilmente me impressiono com filmes de terror. Tirei de letra O Exorcista e O Iluminado. Mas desde que li uma edição de Dylan Dog, estrelada por mortos-vivos, descobri o meu ponto fraco!
Pela manhã, filosofei sobre a epidemia. Não há nada mais anti-capitalista do que se tornar um zumbi. Na fome por carne humana viva, todos são iguais. Curiosamente, os poucos sobreviventes do filme, encontram refúgio em um shopping. Os mortos-vivos se avolumavam na frente das portas cerradas, ocasionalmente dando um jeito de invadir, ora por meio de brechas, ora infectando alguém que já estava lá dentro. Pensando bem… o zumbi seria metáfora para igualdade ou para pobreza?
A linha de raciocínio tira a graça do filme. Esqueçam o parágrafo anterior.
Quando é hype refilmar terror japonês, a indústria cinematográfica redescobre George Romero – ao que me parece, um dos criadores do terror-zumbi. Eu não o conhecia. Esse ano, ainda, sai Land of the dead (saiu em 24/06, nos EUA). Saiam já à procura dele, antes que seus monstros o peguem desprevenido. Imperdível.
(Vale também uma nota sobre os efeitos especiais. Técnicas de maquiagem, computação gráfica… sei lá… só sei que é impossível ficar impassível diante de Madrugada dos Mortos).
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
CONTATO
Autógrafos é outro assunto à parte, quando falamos em quadrinhos. Diferente dos outros meios, um autógrafo do quadrinhista tem sempre algo de especial. Enquanto um escritor pode deixar um breve recadinho e seu nome, o desenhista faz um pouquinho de sua arte para o fã. Voltei da FIQ com um exemplar de Meu coração não sei por que, de Moon e Ba, com dois personagens da obra a nanquim – sendo um o dragão míope com um sugestivo balãozinho: “no papel é mais legal”, feito pelo Gabriel Moon, com quem avancei um pouco mais o diálogo sobre as novas formas de quadrinhos no meio digital. Já Boilet traçou um belo perfil de Yukiko!
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
BOILET MANGAKA
No sábado, 08/10, participei de uma entrevista de Rogério Campos (da Editora Via Lettera) com Frédéric Boilet. Não sei se pelo cansaço da viagem da noite anterior (8 horas de Cometão São Paulo-BH) ou pela tradução simultânea, não me envolvi tanto com a conversa. Valeu por oferecer a oportunidade quase única de ver um artista internacional de perto e por me dar a desculpa exata para falar sobre o livro de Boilet lançado agora no Brasil. O espinafre de Yukiko foi publicado originalmente no Japão, portanto mangá, por um desenhista francês, portanto BD. Dessa mistura de linguagens surgiu a nouvelle manga.
O enredo é um tanto simples e mostra a relação do artista com sua musa. No entanto, o desenho e as brincadeiras metalingüísticas fazem dessa obra uma das graphic novels mais sensíveis sobre relacionamentos.
Aparentemente, Boilet trabalha com grafite sobre fotos, o que confere um tom bem realista às expressões corporais e, sobretudo, às faciais. Boilet é o desenhista apaixonado – é seu rosto nos quadrinhos. Foi uma surpresa agradabilíssima descobrir isso, vendo-o ao vivo. Mesmo para quem não teve essa experiência, fica muito forte essa sensação de que o enamorado deve ser o autor.
A HQ é quase toda em primeira pessoa e a arte passeia entre os esboços da agenda – tal e qual os desenhistas descritos na primeira parte de Facada na FIQ – e a “realidade”. O tempo também dá saltos um tanto subjetivos.
Vendida como um simples mangá erótico pelas cenas um pouco mais íntimas do casal (nada explícitas ou gratuitas), temo que o livro possa passar sem ser notado pelo leitor médio de quadrinhos.
Em tempo: ao que fui informado, O espinafre… foi muito bem vendido no estande da Livraria Leitura – a grande revendedora de quadrinhos de BH – durante toda a FIQ.
A propósito, engordei a renda da Leitura. Tive que comprar lá um segundo exemplar, pois deixara o meu em São Paulo. Fiz questão de ter um livro autografado por Frédéric Boiilet. O que me leva à quarta parte de Facada na FIQ!
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
DEBATES
No FIQ, assisti à mesa de debates sobre Quadrinhos e Internet com Samuel Casal (Florianópolis), Amauri de Paula (Belo Horizonte, do site www.quadrinho.com) Fábio Moon (São Paulo) e Gabriel Bá (São Paulo). O assunto me interessava particularmente. Pesquiso a linguagem da nona arte em ambiente digital desde 2000/2001. Com leve tristeza percebi que a Internet, aos autores, vale mais pelo potencial de disseminação de informações do que necessariamente pelas ferramentas capazes de revolucionar / evoluir as HQs. A justificativa se repete: “com som e imagem já não são mais quadrinhos, é animação”. O que falta, acredito, é tempo, dinheiro e conhecimentos técnicos aos desenhistas de forma geral. O debate, que não tardou em descambar para discussões sobre a forma de trabalho dos artistas, revelou um pouco da realidade dos quadrinhistas brasileiros.
O jornal O Estado de S. Paulo veiculou no seu suplemento de atrações do fim de semana de 05/09 uma bela história em quadrinhos (algo em torno de 6 páginas) de Moon e Bá, sobre a II Feira do Livro Infantil, Juvenil & Quadrinhos que aconteceu nos dias 06/09 a 14/09. Tempo de produção: dois dias. “Se não fizéssemos, outro faria”.
Sobre a pirataria digital. Dos gêmeos: “se você está sendo pirateado é por que vende pra caralho. [...] Não ganhamos dinheiro com a venda livros, pelo menos estamos sendo divulgados”.
Para não cometer injustiça. Moon e Ba desenvolvem, sim, um belo trabalho em ensaios sobre “a arte de contar histórias” em seu blog www.10paezinhos.com.br.
Casal deixou a dica aos artistas estreantes. Crie um site funcional, pegue o endereço de e-mail de diretores de arte e mande seu link para apreciação. A perfeição só vem através da crítica. Um trabalho bem desenvolvido chama a atenção mesmo estando na Internet. Foi assim que Casal começou sua carreira.
Fica, portanto, a crítica à organização do FIQ: sem desmerecer os artistas, os debatedores podiam ser outros que aprofundassem a discussão sobre o tema proposto. Edgar Franco, é mestre em Multimeios pela Unicamp, e tem toda uma tese desenvolvida sobre quadrinhos e Internet, leciona em BH e poderia ter sido chamado. Flávio Calazans, doutor em Ciências da Comunicação pela USP, também poderia render ótimas discussões. Por mais graduações que esses dois tenham, são muito acessíveis. Eles poderiam muito bem entreter a platéia pós-adolescente do FIQ e despertar o interesse para os rumos das HQtrônicas.
Ou então, chama eu!
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes
por André
MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
QUADRINHOS VICIAM E PROVOCAM ISOLAMENTO
Regozijo-me por ter ido ao Festival Internacional dos Quadrinhos (FIQ) que aconteceu entre os dias 05 e 09 de outubro em Belo Horizonte/MG. Tal como literatura, pela própria natureza do veículo, as HQs tendem a isolar leitores. A recepção da mensagem se dá de forma solitária, diferente da televisão e do cinema. É quase impossível ao quadrinhômano / quadrinhófilo reconhecer um par sem maiores demonstrações aparentes de seu gosto.
No FIQ, a tribo se reuniu. Uma contra-diáspora.O movimento de migração não foi tão grande quanto o necessário para solidificar o evento no cronograma de festividades culturais da nação. Até mesmo por que esse ano o FIQ quase não saiu e a realização de afogadilho causou uma das maiores baixas do encontro: o desenhista Eddie Campbell (Do Inferno, escrito por Alan Moore) não conseguiu data para viajar.
Era comum olhar para o lado e ver desenhistas com blocos de sulfite ou meras agendinhas rabiscando rascunhos de imagens de seu entorno. A língua local também era praticamente uma. Mangá era mangá, e não “quadrinho japonês”. Os gêmeos Moon e Bá não precisavam recontar a trajetória do zine 10 Pãezinhos.
Defendo a postura de que os quadrinhófilos / quadinhômanos têm que se fazer notar. Custo a crer que somos tão poucos quanto nosso anonimato de solitárias espirais do silêncio (não) mostra. No FIQ, uma primeira prova de que estou no caminho certo.
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes

por André
Pra ser sincero, foi com a frase acima que Dylan Dog me conquistou. Não conhecia muito desse fumetti (quadrinhos italianos) até ler um Top 10 com os melhores bordões das HQs. É claro que não deixaram o inefável “Ta na hora do pau!” (GRIMM, Benjamin J.), de lado, mas com razão dedicaram o primeiro lugar ao Detetive do Pesadelo!
Sim, Dylan Dog é um detetive, mas como poucos. Além do genial “Judas dançarino!” que o acode a cada susto, carrega consigo um parceiro não menos ímpar. Ninguém menos que Groucho Marx. Sim, Groucho Marx – com direito a bigode e charuto – que, com um texto muito competente, no papel, é tão afiado quanto sua contraparte real foi no cinema!
Lembro desse título da italianíssima editora Bonelli simplesmente porque Dylan Dog é uma das unanimidades do Facada!
Dog é um detetive a quem a Interpol – sempre a contragosto – recorre para os casos mais não-naturais. Moçoilas desamparadas também fazem parte da clientela de Dylan, que a elas não recusa hora extra. Sempre metido em histórias com pitadas de estranheza e terror, nunca há como prever o que se encontram nas páginas de Dog – de Magritte aos mortos-vivos de Romero.
Esse mês – e convido outros colaboradores a fazerem sua resenha – a revista vem com a ótima História de Ninguém. Cheia de reviravoltas, a HQ traz inúmeras (anti-)referências para quem já é fã da série dar aquele sorrisinho de canto de boca. E como poucos enredos anteriores, esse bate recorde de inexplicabilidade!
Bah… nada que Dylan não tire de letra!
Para constar nos autos: História de Ninguém casou direitinho com outro livro que estou lendo. Prelúdios e Noturnos é compilação de luxo das primeiras edições de Sandman. IMPERDÍVEL. Comentários sobre Gaiman fica para um próximo post!
UAAARRGH!
Categorias: TEXTO
Etiquetado: André Rafaini Lopes